Durante esta campanha, estive quatro vezes em Sepetiba: há cinco anos realizei por lá um projeto da Campanha “Educar para a Não-Violência” que foi concebido pelo Movimento Humanista e pela ONG – A Comunidade para o Desenvolvimento Humano e implementado no Chile, na Argentina e em alguns países da Europa. Eu, particularmente, apoiei a construção deste projeto em escolas do Rio de Janeiro e encontrei muitos aliados, voluntários que toparam fazer pesquisas com a população e implementar encontros de não-violência em seus locais de trabalho e estudo. Dentre estes voluntários, estava Beatriz de Sepetiba.
Foi a partir do contato com Beatriz, que hoje atua no Grupo Fé e Política organizado pela Igreja Católica na região, que assisti ao debate para candidatos à prefeitura do Rio, no qual esteve presente o candidato de nossa chapa Eduardo Serra. Também assisti a um dos debates para vereadores em que esteve presente Paulo Oliveira, candidato comunista de nossa chapa. Além disso, fui convidada a conversar com os alunos do pré-vestibular organizado pela igreja e com os membros do Grupo Fé e Política sobre minhas propostas de campanha e estive em um terceiro debate como candidata a vereadora.
Nestas quatro visitas, delineou-se um quadro assustador da realidade que Sepetiba vive hoje e que inclui:
- a falta de escolas para uma população que dobrou de tamanho nos últimos cinco anos
- a questão da implantação do pólo petroquímico na região que pode transformar Sepetiba na próxima Cubatão brasileira.
- a falta de incentivo aos pescadores da região e total descaso das autoridades frente a como a questão ambiental influencia também a economia local.
- a questão do transporte precário e da má administração das gratuidades que dificulta a vida dos moradores da região.
Durante essas quatro visitas, além dos problemas já mencionados, discutimos as dificuldades relacionadas à área de saúde e à necessidade de mobilização popular. No entanto, o tema ambiental despontou como a principal luta das organizações presentes nos debates, dentre elas a ONG Sara, organizações de pescadores e a Cores.
Para nós, humanistas, enquanto a educação não for prioridade e enquanto não houver organização popular, não será possível mudar este quadro!
Algumas propostas de ação que surgiram ao longo dos debates:
- Realizar visitas de conscientização em relação à questão ambiental em escolas e porta-a-porta em diferentes ruas de Sepetiba, orientando a população e convidando às reuniões do Conselho Popular de Educação.
- Manifestações no centro da cidade, levando desenhos, esquetes e faixas criadas por alunos das escolas da região e professores, com o intuito de chamar a atenção das autoridades e deixar claro que “Sepetiba também faz parte do Rio de Janeiro”.
Para isso, faz-se necessária a organização de um Conselho Popular em Sepetiba e calendários semanais de implementação de tais atividades.
Desde já coloco-me à disposição de todos e todas que queiram construir tais conselhos, implementar essas e outras iniciativas de organização, logo após a campanha, para que possamos estar cada vez mais perto do sonho de construção do Poder Popular.
Paz, Força e Alegria!